MAU HÁLITO: Crianças também são vítimas do mau hálito

A odontopediatra Erica Negrini Lia, professora-adjunta do curso de odontologia da UnB (Universidade de Brasília), garante que as crianças não estão livres da halitose, popularmente conhecida como mau hálito. 

Segundo ela, trabalhos realizados no Brasil mostraram que até 50% da população infantil de até 12 anos sofre com o problema.

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— As causas são diversas e vão desde longos períodos sem alimentação ou ingestão de líquidos até a falta de higiene bucal.


A especialista também cita quadros de amigdalite, rinossinusite e refluxo gastroesofágico, comuns nesta faixa etária, como outras possíveis origens do mau cheiro na boca.

— Geralmente, os pais percebem e procuram ajuda profissional, mas o tratamento vai depender da investigação e remoção das causas. Se o problema estiver relacionado com respiração bucal, por exemplo, a criança será encaminhada ao otorrinolaringologista.

A professora da UnB enfatiza que os pequenos também precisam adotar hábitos de vida saudáveis, como alimentação adequada e ingestão de líquidos, e manter uma boa higiene bucal, que inclui “escovação dos dentes, limpeza da língua e fio dental”.

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— No caso de bebês, recomenda-se a limpeza da gengiva com fralda ou gaze embebida em água filtrada ou a utilização de dedeiras de silicone que têm a mesma finalidade.

Após o nascimento dos molares (dentes detrás), que ocorre por volta de um ano e meio, a dentista indica o uso de escovas dentais adequadas para a faixa etária e pasta sem flúor. Sobre o uso de enxaguante bucal ela faz um alerta.


— Não há recomendação de bochechos com solução antisséptica em crianças. Aliás, é um mito acreditar que esses produtos podem substituir a escovação.
Segundo a dentista Erica, as crianças devem ser estimuladas desde cedo a cuidar de sua própria saúde, no entanto, “a responsabilidade da execução final da higiene bucal deve ser de um adulto, até que a criança tenha pelo menos dez anos de idade, quando a aquisição da habilidade motora é quase completa”.

— Além dos pais darem o exemplo, é preciso lembrar que a primeira visita ao dentista deve acontecer quando o bebê completar seis meses, período que os dentes começam a nascer.