CIRURGIA ORAL : Utilização da ulectomia na clínica infantil : Relato de caso


A ulectomia é um procedimento de fácil execução para o profissional e rápida recuperação para o paciente infantil.

Os autores apresentam, por meio de relato de caso clínico, a técnica cirúrgica de ulectomia, como opção terapêutica para o retardo na erupção dental.

Introdução

São comuns as situações na clínica odontopediátrica nas quais há a impacção de elementos dentários permanentes, fato que pode acarretar transtornos para a dentição em desenvolvimento, particularmente o atraso no processo de erupção dentária.

Dentre essas situações destaca-se a presença de fibrose do tecido gengival na área edêntula correspondente aos elementos permanentes intra- ósseos, que ocorre em decorrência de traumas constantes ou por meios medicamentosos (Lascala; Lascala Júnior, 1997).

Veja também : ORTHODONTICS : Serial extraction of primary teeth

Um dos tratamentos indicados para essa situação é a realização de um procedimento cirúrgico denominado de ulectomia, o qual consiste na exérese dos tecidos que revestem a face incisal/oclusal da coroa dentária de um dente não-irrompido de forma a lhe permitir um caminho desimpedido para vir ocupar sua posição na arcada dentária (Carreira et al., 2003; Gregori; Motta, 2003).

Este trabalho tem por finalidade apresentar a técnica cirúrgica de ulectomia envolvendo elementos dentários permanentes com fibrose gengival.

Relato do caso

Paciente do gênero feminino, 7 anos e 6 meses de idade, compareceu à clínica tendo como queixa principal o não irrompimento dos incisivos centrais superiores. Durante a anamnese não foi relatada nenhuma anormalidade que pudesse ocasionar essa retardo, como por exemplo a ocorrência de trauma local.

Ao exame clínico foi constatado que os incisivos centrais superiores apresentavam-se recobertos por uma espessa lâmina de tecido gengival com coloração rosada e, que ao toque, evidenciavam-se as coroas dos elementos em questão . Verificou-se a presença do elemento dentário 22, o qual estava em processo de erupção.

Para complementar o diagnóstico clínico, realizou-se o exame radiográfico da área, no qual se observou que as raízes apresentavam 2/3 de formação (estágio 8 de Nolla) e que as coroas dentárias dos elementos 11 e 21, encontravam-se recobertas apenas por tecido mucoso, sem resquícios ósseos. De posse desses dados, optou-se pela ulectomia como melhor forma de tratamento para esse caso.

Técnica cirúrgica A técnica cirúrgica consiste das seguintes etapas:

1) Anestesia local Realizada a aplicação do anestésico tópico, executou-se a anestesia terminal infiltrativa (Lidocaina 50® - DFL), sendo a mesma aplicada em vários pontos da região, contornando o local das coroas dentárias dos elementos 11 e 21.
2) Incisão A incisão realizada foi à elíptica em torno de todo o capuz gengival por meio de um bisturi
3) Divulsão e exérese do tecido A divulsão da mucosa foi feita de maneira cuidadosa até a completa exposição da face incisal do dente, seguida da exérese do tecido.
4) Hemostasia Procedeu-se à irrigação da área com soro fisiológico e a hemostasia por tamponamento, com gaze estéril, não sendo necessária nenhuma medicação no pós-operatório. Decorridas 3 semanas, observou-se a completa cicatrização da região e a erupção dos elementos dentários. Não houve relato de sensibilidade pósoperatória pela paciente.

Discussão
O fibrosamento da mucosa gengival poderá ocasionar um retardo da erupção, sendo essa uma condição clínica determinada pela presença de tecido conjuntivo denso sobre a coroa (Assed; Queiroz, 2005). Issao e Guedes–Pinto (1999) relataram que a partir do 7º estágio de Nolla (1/3 de raiz formada) o dente já apresenta força eruptiva, portanto, uma vez indicada a ulectomia, esta deve ser feita imediatamente, a fim de evitar problemas de maloclusão futuros.

Para uma indicação precisa da técnica cirúrgica são necessários os exames clínico e radiográfico minuciosos da região. Através do exame clínico, notase a presença de uma área com aumento de volume e coloração mais pálida, pelo aumento da camada de queratina do epitélio, além de marcas contornadas, denotando a presença iminente do dente não irrompido (Duque et al., 2004).

Portanto, o exame radiográfico é imprescindível nesses casos, pois permitirá o correto diagnóstico. De acordo com Poricelli e Ponzoni (2005), a técnica cirúrgica da ulectomia envolve incisões elípticas, circulares ou ovais que limitam as áreas para exérese tecidual. Sua extensão deve permitir a exposição do bordo incisal ou face oclusal do dente.

A incisão pode ser realizada com bisturi e lâmina, laser ou eletrocautério. Com relação ao eletrocautério, Vasconcelos et al. (2003) ressaltam dentre as principais vantagens deste método as incisões sem hemorragia ou com mínima hemorragia proporcionando um campo operatório exangue. A ulectomia é um procedimento de fácil execução para o profissional e rápida recuperação para o paciente infantil.

Envolve solução de continuidade no tecido gengival, possibilitando a livre erupção do dente retido (Poricelli; Ponzoni, 2005). Sempre que o profissional decidir por uma cirurgia, esta decisão deve ser comunicada aos pais da criança, dando-lhes informações sobre o trabalho que será feito, explicando o porquê e tranqüilizá-los quanto ao procedimento cirúrgico (Gregori; Motta, 2003; Duque et al., 2004; Saraiva et al., 2005).

Considerações finais Frente a situações de retardo na erupção dentária, nas quais os elementos apresentem dois terços de formação radicular, o cirurgião-dentista poderá fazer uso da ulectomia como opção terapêutica para esses casos devido à simplicidade técnica e ao pósoperatório favorável.

°revistas2.uepg.br
°Alessandro Leite Cavalcanti / Leonardo Costa de Almeida Paiva




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